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Maria Madalena do Espírito Santo de Araújo nasceu no dia 23 de maio de 1863. Era morena e de pequena estatura. Vestia o hábito preto das beatas, cujas mangas lhe cobriam os braços. Natural de Juazeiro. Filha de Antônio da Silva de Araújo e Ana Josefa do Sacramento. Os poucos atributos físicos eram compensados por elevada piedade. Entregou-se totalmente à oração, tendo por orientador espiritual o Padre Cícero, a quem transcrevemos da sua “exposição circunstanciada” ao Bispo Dom Joaquim José Vieira, datada em Fortaleza do dia 18 de julho de 1891, conforme se lê da transcrição dos autos do inquérito feito pela (primeira) comissão episcopal vinda a Juazeiro para investigação dos fatos extraordinários ocorridos com hóstias dadas em comunhão a Maria de Araújo, transcrição por Maria do Carmo Forti, a qual constitui o volume A Questão Religiosa do Joaseiro, das Edições IPESC — Instituto José Marrocos de Pesquisas e Estudos Sócio-Culturais, 1989.
Conheço, Excelentíssimo Senhor, à Maria de Araújo, desde menina, isto é, desde a idade de oito a dez anos, quando a confessei para fazer ela sua primeira comunhão. Notando aí então as melhores disposições daquela menina para a vida interior, aconselhei-a a se consagrar a Nosso Senhor, o que ela executou do modo o mais íntimo e perfeito, considerando-se desde aquela data como uma verdadeira esposa de Jesus Cristo. Na idade de dezoito a dezenove anos, mais ou menos, foi Maria de Araújo vítima das mais graves tentações e perturbações de espírito, as quais todas convergiam para distraí-la da oração e inspirar-lhe receio das práticas de piedade, além de serem contrárias à Santa Virtude da castidade. Algum tempo depois, mas pouco a pouco, vieram-lhe visões contrárias àquelas tentações e perturbações: inspiravam-lhe elas paz d’espírito, animação e perseverança na oração. Maior fervor e tal generosidade na prática de todas as virtudes, que seu desejo, sua contínua oração era condenar-se mais antes do que violar a virtude da castidade, consentindo naquelas tentações. Maria de Araújo muito receava-se tanto das consolações como das provações que experimentava. Já ela conhecia os ardis do inimigo. Passo às visões. — Página 6.
A princípio e maiormente em mil oitocentos e oitenta, mais ou menos, pareceu-lhe ver a SS. Virgem, mas não tendo então certeza disso, do que se receava, fez a conselho meu, em qualidade de seu diretor espiritual, uso de água benta, quando aquela visão tornou-se-lhe mais patente, representando-se-lhe tomar, a dita visão, a atitude de quem ora e inclina a cabeça em sinal de veneração. É desta data em diante que apareceu-lhe Jesus Cristo mas da primeira vez de passagem e dirigindo-lhe duas a três palavras de animação, e isso por ocasião de sofrer ela uma grande perturbação. Ela porém não conheceu bem ao Senhor. Renovando ela a conselho meu o ato de consagração a Nosso Senhor, deu-se que tal visão tornou-se mais patente e Nosso Senhor mandou-lhe então que, depois de uma confissão e com participação disso a seu diretor, ela celebrasse com ele, isto é, com Jesus Cristo, mesmo um consórcio espiritual, o qual havia de se celebrar na Capela do SS. Sacramento, o que efetuou-se com grande solenidade. Com esse fato acendeu-se-lhe o coração num verdadeiro incêndio de amor. Desde aquele fato Nosso Senhor se constituiu seu mestre e seu diretor: ensinava-lhe a orar, a ouvia mesmo de confissão, a preparava cada vez mais para a vida unitiva. — Páginas 6-7.
Também há muito davam-lhe estes fenômenos na pessoa de que tratamos, talvez salvo engano, desde o ano de mil oitocentos e oitenta e cinco, mas com interrupções. Nesse estado de estigmas, via-se sangue em sua testa a sair como de uma coroa de espinhos, nas mãos, um como cravos, no lado uma chaga que só na Quaresma do corrente ano chegou a cicatrizar, jorrando destes estigmas copioso sangue. Confirma-se a Consagração de Maria de Araújo ao Senhor. Era o dia dezenove de agosto de mil oitocentos e oitenta e nove. Naquele dia orava a Beata na Capela do SS. Sacramento. Então apareceu-lhe Nosso Senhor perguntando-lhe se ela queria de novo a ele consagrar-se e fazer em seu lugar penitência por vivos e mortos e havido dela o consentimento requisito (indispensável) intimou-lhe que de tudo desse parte ao confessor, que fizesse quinze estações com comunhão; significando-lhe que era sua vontade fazer daquele lugar um Centro de atração ou de chamamento das almas para a salvação, recomendando-lhe para esse feito a devoção às dores de sua Mãe Santíssima e ao seu preciosíssimo sangue para ser um meio de salvação para todos que ali fossem. — Páginas 8-9.
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