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O Padre Cícero veio morar definitivamente no aglomerado de casebres chamado Juazeiro, distrito de Crato, em 11 de abril de 1872. Era o sexto capelão do lugarejo.

 

Padre, com todo o vigor físico (28 anos de idade), comprometido em sonho com Jesus Cristo para olhar pela salvação da alma daquele povo, encontrou ali uma população de pobres, no meio dos quais se contavam desordeiros de várias ordens.

 

Homem puro de costumes e temente a Deus, logo o Padre Cícero percebeu que lhe impunha chamar à ordem a súcia, primeiro fazendo-lhe respeitar as famílias; segundo, encaminhando-a para o trabalho; terceiro, ensinando-lhe o perdão das ofensas; quarto, exigindo-lhe a continência dos apetites; quinto, trocando-lhe as armas, a bebida e os sambas pelo “rosário da Mãe de Deus”.

 

As virtudes do padre começaram a ser percebidas por quase toda a pequena população do lugar. Logo, logo estavam fora dos limites do povoado. Com esta isca, o pescador de almas as apanhava no rio da indiferença e as trazia para Deus.

 

Jamais o Padre Cícero se negou a ouvir em confissão, a qualquer hora; a ir administrar sacramentos a enfermos em casa destes. Sem comodidades, sem estipêndio, repete-se. Quando se transportava aos sítios para administrar viático, não raras vezes era visto a dormir na sela do cavalo, vencido pelo cansaço.

 

As funções típicas de sacerdote foram agravadas com as de administrador moral da vila, que ia tomando proporções de cidade.

 

Diariamente, no fim da tarde, a população era chamada a rezar com o padre, na casa deste, na Rua de São José. Os sermões tinham sempre em vista a caridade, a solidariedade, a mansidão, a tolerância, a honestidade, o respeito às pessoas e aos bens.

 

Invariavelmente, o padre repetia estes conselhos aos fiéis, para que nunca esquecessem de os praticar:

 

Quem bebeu, não beba mais: a cachaça é um poderoso agente de satanás. Quem matou, não mate mais: ninguém tem o direito de ofender o seu semelhante; só Deus tem o poder de tirar a vida de suas criaturas. Quem roubou, não roube mais: quem rouba vai para o inferno. Quem mentiu, não minta mais: a mentira é filha do diabo e o mentiroso seu encarregado. — Amália Xavier de Oliveira.

O Padre Cícero que eu Conheci, p. 42.

 

Antes de despedir os fiéis com a bênção, o padre costumava fazê-los repetir com ele sua oração pessoal:

 

Mãe de Deus, Mãe soberana, Mãe das Dores: de hoje para sempre eu me entrego a vós como vosso filho e servo, consagro ao vosso serviço a minh’alma, o meu corpo e tudo o que me pertence. Abençoai a minha família, os meus trabalhos, os meus haveres. Sede minha protetora na vida e conduzi-me ao céu para viver feliz por toda a eternidade. Amém. — Amália, p. 43.




Última atualização ( Sex, 02 de Maio de 2008 19:24 )
 

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